{"id":12757,"date":"2026-07-11T00:00:00","date_gmt":"2026-07-11T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/o-pior-ja-ficou-para-tras\/"},"modified":"2026-07-10T19:56:06","modified_gmt":"2026-07-10T19:56:06","slug":"o-pior-ja-ficou-para-tras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/o-pior-ja-ficou-para-tras\/","title":{"rendered":"O PIOR J\u00c1 FICOU PARA TR\u00c1S?"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car encerrou a semana com o contrato de outubro\/26 negociado a 14.86 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, acumulando uma queda de 36 pontos no per&iacute;odo, o equivalente a aproximadamente US$ 8 por tonelada. O movimento n&atilde;o ficou restrito ao primeiro vencimento. Os contratos entre mar&ccedil;o de 2027 e mar&ccedil;o de 2028 tamb&eacute;m recuaram, com perdas variando entre 9 e 29 pontos, ou algo entre US$ 2 e US$ 6 por tonelada, mostrando que a press&atilde;o vendedora se espalhou por toda a curva.<\/p>\n<p>Como costuma acontecer, n&atilde;o existe uma &uacute;nica explica&ccedil;&atilde;o para esse comportamento. O mercado &eacute; resultado da combina&ccedil;&atilde;o de diversos fatores, e nesta semana alguns deles pesaram mais do que outros. O primeiro foi o enfraquecimento do petr&oacute;leo no mercado internacional. Um petr&oacute;leo mais barato reduz a atratividade dos biocombust&iacute;veis e acaba exercendo press&atilde;o sobre o etanol. A esse fator somou-se a valoriza&ccedil;&atilde;o do real frente ao d&oacute;lar. Embora um c&acirc;mbio mais forte seja positivo para diversos segmentos da economia, para o setor sucroenerg&eacute;tico ele reduz a competitividade das exporta&ccedil;&otilde;es e, ao mesmo tempo, torna relativamente mais barata a gasolina no mercado dom&eacute;stico. Isso diminui a competitividade do etanol hidratado nas bombas e afeta as expectativas de remunera&ccedil;&atilde;o das usinas.<\/p>\n<p>Esse conjunto de fatores acabou provocando uma consequ&ecirc;ncia previs&iacute;vel: uma acelera&ccedil;&atilde;o das fixa&ccedil;&otilde;es de pre&ccedil;os por parte das usinas que ainda possu&iacute;am volumes em aberto, principalmente para o vencimento de outubro. Afinal, diante de um cen&aacute;rio em que o etanol perde competitividade e o mercado demonstra dificuldade para sustentar altas, &eacute; natural que produtores aproveitem qualquer recupera&ccedil;&atilde;o para travar margens.<\/p>\n<p>Essa din&acirc;mica ajuda a explicar por que o mercado encontra tanta resist&ecirc;ncia para subir. O contrato de outubro parece esbarrar repetidamente na regi&atilde;o dos 15 centavos por libra-peso. Sempre que se aproxima desse n&iacute;vel, surge uma nova onda de vendas de origem. No caso do mar&ccedil;o de 2027, o fen&ocirc;meno &eacute; semelhante, apenas deslocado para a faixa dos 16 centavos. N&atilde;o se trata de uma coincid&ecirc;ncia, mas de um comportamento racional de quem ainda precisa comercializar a&ccedil;&uacute;car e prefere reduzir a exposi&ccedil;&atilde;o ao risco.<\/p>\n<p>Infelizmente, essa necessidade de venda hoje &eacute;, em parte, consequ&ecirc;ncia de decis&otilde;es que deixaram de ser tomadas no passado. Ao longo dos &uacute;ltimos meses o mercado ofereceu diversas oportunidades de fixa&ccedil;&atilde;o em n&iacute;veis significativamente superiores aos atuais. Comentamos isso repetidas vezes em nossos relat&oacute;rios. Cada empresa teve suas raz&otilde;es para n&atilde;o aproveitar aquelas janelas &mdash; seja por expectativas mais otimistas, por restri&ccedil;&otilde;es financeiras, por quest&otilde;es internas de governan&ccedil;a ou simplesmente por excesso de confian&ccedil;a. O fato &eacute; que essas oportunidades ficaram para tr&aacute;s e hoje muitas usinas acabam sendo obrigadas a fixar pre&ccedil;os em n&iacute;veis menos atrativos.<\/p>\n<p>Esse &eacute; justamente um dos princ&iacute;pios fundamentais da gest&atilde;o de risco. Ela n&atilde;o existe para acertar o topo do mercado. Existe para proteger margens quando elas s&atilde;o economicamente satisfat&oacute;rias. Esperar pelo pre&ccedil;o perfeito normalmente significa correr o risco de acabar vendendo em condi&ccedil;&otilde;es muito piores.<\/p>\n<p>Apesar desse cen&aacute;rio menos favor&aacute;vel, tamb&eacute;m &eacute; importante colocar os pre&ccedil;os atuais em perspectiva. Considerando as fixa&ccedil;&otilde;es acompanhadas de NDF (contrato a termo de d&oacute;lar com liquida&ccedil;&atilde;o financeira) para a safra 2027\/28, os valores m&eacute;dios continuam ao redor de R$ 2,050 por tonelada FOB Santos equivalente. N&atilde;o &eacute; um pre&ccedil;o extraordin&aacute;rio. Est&aacute; longe dos n&iacute;veis que vimos em anos recentes. Mas, para uma parcela significativa das usinas brasileiras, continua sendo suficiente para remunerar adequadamente a produ&ccedil;&atilde;o, desde que os custos estejam sendo corretamente apurados.<\/p>\n<p>E essa &uacute;ltima observa&ccedil;&atilde;o merece destaque. Em muitos casos, o problema n&atilde;o &eacute; exatamente o pre&ccedil;o de venda, mas a forma como o custo de produ&ccedil;&atilde;o &eacute; calculado.<\/p>\n<p>Do ponto de vista de mercado, continuo acreditando que j&aacute; vimos o pior desta fase de baixa. Naturalmente essa afirma&ccedil;&atilde;o precisa ser acompanhada de uma boa dose de humildade, porque mercado n&atilde;o respeita convic&ccedil;&otilde;es pessoais. Entretanto, olhando o conjunto de fundamentos, parece que uma parcela importante das not&iacute;cias negativas j&aacute; foi incorporada aos pre&ccedil;os.<\/p>\n<p>Daqui para frente, o foco dos participantes dever&aacute; migrar cada vez mais para as incertezas relacionadas &agrave;s pr&oacute;ximas safras da &Iacute;ndia e da Tail&acirc;ndia. A safra indiana come&ccedil;a efetivamente em outubro e continua cercada por d&uacute;vidas importantes sobre produtividade, disponibilidade h&iacute;drica e pol&iacute;ticas governamentais para exporta&ccedil;&atilde;o. Na Tail&acirc;ndia, o mercado tamb&eacute;m acompanha atentamente a evolu&ccedil;&atilde;o do clima, j&aacute; que qualquer altera&ccedil;&atilde;o relevante na produ&ccedil;&atilde;o pode modificar significativamente o balan&ccedil;o mundial de a&ccedil;&uacute;car.<\/p>\n<p>Como comentamos na semana passada, esses dois pa&iacute;ses poder&atilde;o dar um tom bastante diferente ao mercado durante os pr&oacute;ximos meses. Se houver frustra&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o, a percep&ccedil;&atilde;o sobre o equil&iacute;brio global poder&aacute; mudar rapidamente. Se, por outro lado, as safras confirmarem volumes elevados, o mercado ter&aacute; dificuldades para construir um movimento consistente de recupera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, no Brasil ainda teremos vari&aacute;veis importantes pela frente. A evolu&ccedil;&atilde;o da moagem, o comportamento do ATR, o mix de produ&ccedil;&atilde;o entre a&ccedil;&uacute;car e etanol e, principalmente, as condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas durante o restante da safra continuar&atilde;o sendo determinantes para a forma&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os. Ou seja, embora eu acredite que o piso esteja relativamente pr&oacute;ximo, ainda n&atilde;o h&aacute; elementos suficientes para afirmar que uma nova tend&ecirc;ncia de alta j&aacute; esteja estabelecida.<\/p>\n<p>Sob a &oacute;tica t&eacute;cnica, nosso colaborador Marcelo Moreira chama a aten&ccedil;&atilde;o para um detalhe importante. O contrato outubro de 2026 chegou a testar uma recupera&ccedil;&atilde;o durante a semana, mas acabou encerrando praticamente na m&iacute;nima do per&iacute;odo, negociado a 14.71 centavos por libra-peso. Nesse movimento, rompeu momentaneamente a importante regi&atilde;o onde se concentram as m&eacute;dias m&oacute;veis de 50, 100 e 200 dias, localizadas aproximadamente entre 14.82 e 14.87 centavos.<\/p>\n<p>Essa faixa passa a ser um divisor de &aacute;guas para o comportamento de curto prazo. Caso o mercado consiga recuperar rapidamente esses n&iacute;veis e volte a encerrar acima das m&eacute;dias m&oacute;veis, o cen&aacute;rio t&eacute;cnico volta a favorecer uma retomada da tend&ecirc;ncia de alta, com objetivos situados inicialmente em 15.50, depois 15.85 e, posteriormente, 16.54 centavos por libra-peso.<\/p>\n<p>Por outro lado, se essa regi&atilde;o deixar definitivamente de funcionar como suporte, o mercado poder&aacute; buscar patamares significativamente mais baixos. Nesse caso, os pr&oacute;ximos n&iacute;veis relevantes estariam ao redor de 14.15 e, posteriormente, 13.80 centavos por libra-peso.<\/p>\n<p>E aqui cabe uma observa&ccedil;&atilde;o final. Tenho sustentado, nas &uacute;ltimas semanas, que provavelmente j&aacute; vimos o pior do mercado. Continuo acreditando nisso. Mas mercado financeiro n&atilde;o distribui medalhas para quem insiste em estar certo. Se os suportes forem rompidos e os fundamentos mudarem, ser&aacute; preciso rever a an&aacute;lise. Gest&atilde;o de risco exige disciplina, mas tamb&eacute;m exige humildade. Afinal, mudar de opini&atilde;o diante de fatos novos n&atilde;o &eacute; sinal de fraqueza. Fraqueza &eacute; permanecer preso a uma convic&ccedil;&atilde;o apenas para preservar o pr&oacute;prio ego. O mercado n&atilde;o recompensa teimosia; recompensa adapta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car encerrou a semana com o contrato de outubro\/26 negociado a 14.86 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, acumulando uma queda de 36 pontos no per&iacute;odo, o equivalente a aproximadamente US$ 8 por tonelada. O movimento n&atilde;o ficou restrito ao primeiro vencimento. Os contratos entre mar&ccedil;o de 2027 e mar&ccedil;o de 2028 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10051,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[],"class_list":["post-12757","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acucar","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12757","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12757"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12757\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10051"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}