{"id":12777,"date":"2026-07-17T16:20:12","date_gmt":"2026-07-17T16:20:12","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/o-mercado-esta-acordando\/"},"modified":"2026-07-17T19:20:53","modified_gmt":"2026-07-17T19:20:53","slug":"o-mercado-esta-acordando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/o-mercado-esta-acordando\/","title":{"rendered":"O MERCADO EST\u00c1 ACORDANDO"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car encerrou a semana com o contrato para vencimento em outubro de 2026 negociado a 14,82 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, acumulando uma queda de apenas quatro pontos no per&iacute;odo, o equivalente a pouco menos de US$ 1 por tonelada. Considerando a volatilidade que costuma caracterizar essa commodity, foi uma semana quase mon&aacute;stica. Os demais vencimentos, de mar&ccedil;o de 2027 at&eacute; maio de 2029, registraram perdas em torno de dez pontos, pouco mais de US$ 2 por tonelada.<\/p>\n<p>O principal fato da semana veio de Bras&iacute;lia. Foi aprovada a eleva&ccedil;&atilde;o da mistura obrigat&oacute;ria de etanol anidro na gasolina para 32%, inicialmente por um per&iacute;odo de 180 dias. A medida dever&aacute; reduzir a necessidade de importa&ccedil;&atilde;o de gasolina em aproximadamente 900 milh&otilde;es de litros por ano, fortalecendo a demanda dom&eacute;stica por etanol. &Agrave; primeira vista pode parecer apenas mais uma decis&atilde;o regulat&oacute;ria, dessas que costumam ocupar poucas linhas nos jornais econ&ocirc;micos. Para o setor sucroenerg&eacute;tico, significa que uma parcela maior da cana poder&aacute; encontrar remunera&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do etanol. Em outras palavras, aumenta-se, ainda que modestamente, a opcionalidade das usinas na defini&ccedil;&atilde;o do mix entre a&ccedil;&uacute;car e combust&iacute;vel.<\/p>\n<p>Essa decis&atilde;o, sozinha, n&atilde;o &eacute; capaz de transformar completamente a din&acirc;mica do mercado internacional de a&ccedil;&uacute;car. N&atilde;o ser&aacute; ela que far&aacute; desaparecer o excedente global nem provocar&aacute; uma corrida desenfreada dos compradores. Mas representa um pequeno tijolo colocado na constru&ccedil;&atilde;o de um cen&aacute;rio um pouco mais favor&aacute;vel aos pre&ccedil;os. E mercados, como todos sabemos, raramente mudam de dire&ccedil;&atilde;o por causa de um &uacute;nico acontecimento. Eles mudam quando diversos fatores come&ccedil;am a caminhar na mesma dire&ccedil;&atilde;o. Segundo um trader piadista, o breve tombo no meio da semana devido a uma not&iacute;cia dizendo que foi encontrado a&ccedil;&uacute;car na Via L&aacute;ctea.<\/p>\n<p>Outro tema relevante continua sendo a &Iacute;ndia. Durante a semana voltaram a surgir informa&ccedil;&otilde;es refor&ccedil;ando a limitada disponibilidade de a&ccedil;&uacute;car export&aacute;vel para a pr&oacute;xima temporada. Alguns acreditam que a &Iacute;ndia n&atilde;o deve exportar nos pr&oacute;ximos dois anos. N&atilde;o se trata exatamente de uma novidade. J&aacute; v&iacute;nhamos comentando esse assunto h&aacute; algumas semanas. O governo indiano continua administrando cuidadosamente seus estoques, procurando equilibrar abastecimento interno, infla&ccedil;&atilde;o de alimentos e produ&ccedil;&atilde;o de etanol.<\/p>\n<p>A safra indiana come&ccedil;a oficialmente em 1&ordm; de outubro, e at&eacute; l&aacute; o comportamento das mon&ccedil;&otilde;es continuar&aacute; sendo o fator determinante. At&eacute; o momento, o regime de chuvas permanece bastante favor&aacute;vel, elevando o potencial produtivo da cana. Mas entre uma boa mon&ccedil;&atilde;o e uma grande safra existe um caminho relativamente longo. Basta lembrar que agricultura continua sendo uma atividade em que a previs&atilde;o meteorol&oacute;gica frequentemente muda de opini&atilde;o com mais rapidez do que certos analistas mudam de recomenda&ccedil;&atilde;o depois que o mercado j&aacute; andou.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o petr&oacute;leo resolveu dar uma pequena contribui&ccedil;&atilde;o aos compradores. Depois de passar boa parte das &uacute;ltimas semanas pressionado, voltou a subir mais de 3% no &uacute;ltimo preg&atilde;o da semana, encerrando novamente acima dos US$ 80 por barril. Pode parecer pouco, mas petr&oacute;leo continua sendo um daqueles ativos que exercem influ&ecirc;ncia silenciosa sobre o a&ccedil;&uacute;car.<\/p>\n<p>Do lado da oferta brasileira, continua valendo a mesma observa&ccedil;&atilde;o feita nas &uacute;ltimas semanas. Os pre&ccedil;os atuais ainda n&atilde;o justificam qualquer entusiasmo exagerado por parte das usinas na acelera&ccedil;&atilde;o das fixa&ccedil;&otilde;es da pr&oacute;xima safra (27\/28). Evidentemente, cada empresa possui uma estrutura de custos diferente, necessidades espec&iacute;ficas de caixa e n&iacute;veis distintos de exposi&ccedil;&atilde;o ao risco. N&atilde;o existe receita &uacute;nica. Mas olhando o setor como um todo, parece razo&aacute;vel imaginar que boa parte dos produtores continuar&aacute; privilegiando disciplina em vez de velocidade. Ali&aacute;s, disciplina costuma ser uma palavra pouco valorizada quando os mercados sobem e extremamente admirada quando eles caem.<\/p>\n<p>O mercado financeiro conhece muito bem esse comportamento. &Eacute; o velho investidor que vende na baixa porque entrou em p&acirc;nico e recompra na alta porque voltou a acreditar. No a&ccedil;&uacute;car, infelizmente, esse roteiro tamb&eacute;m costuma aparecer com certa frequ&ecirc;ncia. Por isso, talvez o maior desafio n&atilde;o seja descobrir para onde ir&aacute; o pr&oacute;ximo movimento do mercado. O verdadeiro desafio continua sendo manter uma estrat&eacute;gia coerente independentemente da dire&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os.<\/p>\n<p>Embora os pre&ccedil;os internacionais continuem relativamente deprimidos quando comparados &agrave;s m&eacute;dias hist&oacute;ricas ajustadas pela infla&ccedil;&atilde;o, a velocidade das quedas diminuiu significativamente. Isso normalmente acontece quando vendedores come&ccedil;am a encontrar menos convic&ccedil;&atilde;o para continuar pressionando o mercado. Isso n&atilde;o significa que o fundo foi atingido. Mercados n&atilde;o costumam tocar uma campainha anunciando que acabaram de formar o piso. Infelizmente, a bolsa ainda n&atilde;o oferece esse servi&ccedil;o. Se oferecesse, provavelmente haveria fila de espera.<\/p>\n<p>O que parece estar acontecendo &eacute; algo mais interessante. Depois de meses em que praticamente qualquer not&iacute;cia servia como justificativa para vender, o mercado come&ccedil;a lentamente a selecionar melhor os argumentos. M&aacute;s not&iacute;cias j&aacute; n&atilde;o provocam quedas t&atilde;o intensas quanto antes. Ao mesmo tempo, pequenas not&iacute;cias positivas come&ccedil;am a produzir rea&ccedil;&otilde;es mais vis&iacute;veis. E a fixa&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os &ndash; que segundo o nosso modelo &ndash; chega a 75% para a safra 26\/27 reduz a press&atilde;o vendedora sobre o outubro.<\/p>\n<p>Ainda &eacute; cedo para decretar qualquer mudan&ccedil;a definitiva de tend&ecirc;ncia. Mas talvez tamb&eacute;m seja tarde para continuar acreditando que somente existe espa&ccedil;o para novas quedas. No mercado, assim como na vida, os extremos raramente duram para sempre.<\/p>\n<p>Nosso analista Marcelo Moreira observa que o contrato outubro\/26 continua negociando dentro de um intervalo bastante bem definido, entre 14,30 e 15,00 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. H&aacute; v&aacute;rias semanas esse corredor funciona como um verdadeiro cabo de guerra entre compradores e vendedores. Nem os otimistas conseguem impor uma tend&ecirc;ncia consistente de alta, nem os pessimistas encontram for&ccedil;a suficiente para romper os principais suportes. No centro dessa disputa est&aacute; justamente a regi&atilde;o dos 14,80 centavos, onde hoje convergem as m&eacute;dias m&oacute;veis de 50, 100 e 200 dias. Quando tr&ecirc;s refer&ecirc;ncias t&eacute;cnicas importantes passam a ocupar praticamente o mesmo n&iacute;vel de pre&ccedil;o, dificilmente isso acontece por acaso. &Eacute; exatamente nesses pontos que grandes participantes costumam medir for&ccedil;as. Caso os compradores consigam consolidar pre&ccedil;os acima de 14,80 centavos, Marcelo entende que o mercado poder&aacute; voltar a desenvolver uma tend&ecirc;ncia de alta mais consistente. Nesse cen&aacute;rio, os pr&oacute;ximos objetivos t&eacute;cnicos aparecem em 15,30, depois 15,90, posteriormente 16,50 e, num movimento mais amplo, 17,00 centavos de d&oacute;lar por libra-peso.<\/p>\n<p>Nos dias 29 (ter&ccedil;a) e 30 (quarta) de setembro de 2026, das 9h &agrave;s 17h, em S&atilde;o Paulo, acontece o Curso Avan&ccedil;ado de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos &mdash; Commodities Agr&iacute;colas, em formato presencial. Esta &eacute; a &uacute;ltima oportunidade do ano para quem deseja aprofundar seus conhecimentos, tomar decis&otilde;es mais consistentes, aprimorar estrat&eacute;gias de hedge e elevar seu n&iacute;vel de atua&ccedil;&atilde;o profissional no mercado de commodities agr&iacute;colas. N&atilde;o deixe para depois um investimento que pode representar um salto qualitativo na sua carreira. Educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; custo, &eacute; investimento. Garanta sua inscri&ccedil;&atilde;o agora. Mais informa&ccedil;&otilde;es: <a href=\"mailto:priscilla@archerconsulting.com.br\">priscilla@archerconsulting.com.br<\/a><\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car encerrou a semana com o contrato para vencimento em outubro de 2026 negociado a 14,82 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, acumulando uma queda de apenas quatro pontos no per&iacute;odo, o equivalente a pouco menos de US$ 1 por tonelada. 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