{"id":13065,"date":"2026-10-23T22:00:32","date_gmt":"2026-10-23T22:00:32","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/ninguem-quebra-com-margem-no-bolso\/"},"modified":"2026-10-24T01:00:20","modified_gmt":"2026-10-24T01:00:20","slug":"ninguem-quebra-com-margem-no-bolso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/ninguem-quebra-com-margem-no-bolso\/","title":{"rendered":"NINGU\u00c9M QUEBRA COM MARGEM NO BOLSO"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY viveu uma semana de leve realiza&ccedil;&atilde;o de lucros e encerrou a sexta-feira cotado a 20,26 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, acumulando queda de 59 pontos no per&iacute;odo, o equivalente a 13 d&oacute;lares por tonelada. Os vencimentos mais longos, que se estendem at&eacute; julho de 2029, ca&iacute;ram menos, 35 pontos em m&eacute;dia.<\/p>\n<p>H&aacute; um detalhe curioso nesse movimento. Entre 13 e 20 de outubro, os fundos liquidaram apenas 7.300 lotes, e isso foi suficiente para derrubar NY em 59 pontos. Ou seja, bastaram cerca de 125 lotes para cada ponto de queda. Na semana anterior, o mercado havia precisado de 558 lotes para subir um &uacute;nico ponto. Estar&iacute;amos diante de um congestionamento, em que o mercado encontra mais dificuldade para subir do que para cair? &Eacute; poss&iacute;vel.<\/p>\n<p>Quando convertemos os pre&ccedil;os de NY pelo NDF (contrato a termo de d&oacute;lar com liquida&ccedil;&atilde;o financeira) e calculamos a m&eacute;dia para a safra que vem, a rentabilidade melhorou e os pre&ccedil;os chegaram ao 70&ordm; percentil (2,438 reais por tonelada FOB Santos). Em termos pr&aacute;ticos: nos &uacute;ltimos doze anos, com valores ajustados pela infla&ccedil;&atilde;o, o a&ccedil;&uacute;car esteve acima desse patamar em apenas 30% do tempo. Essa percep&ccedil;&atilde;o j&aacute; tem sido suficiente para que as usinas acelerem as fixa&ccedil;&otilde;es de pre&ccedil;o para o pr&oacute;ximo ano.<\/p>\n<p>Na nossa vis&atilde;o, acelerar as fixa&ccedil;&otilde;es para 2027\/28 &eacute; a estrat&eacute;gia acertada. A cana bisada, aquela que fica no campo nesta safra e s&oacute; ser&aacute; colhida na pr&oacute;xima, traz inseguran&ccedil;a para as usinas porque representa mais produto dispon&iacute;vel, e mais cedo, no ano que vem. A quantidade total de cana, claro, n&atilde;o muda: o que deixa de ser mo&iacute;do agora, restringindo a oferta de curto prazo, ser&aacute; mo&iacute;do na safra seguinte. O que tamb&eacute;m n&atilde;o muda &eacute; a capacidade instalada de moagem, e &eacute; a&iacute; que est&aacute; a quest&atilde;o. Vamos bater no teto novamente, algo perto de 650-660 milh&otilde;es de toneladas de cana.<\/p>\n<p>Nesse cen&aacute;rio, se um n&uacute;mero crescente de usinas apostar que os pre&ccedil;os v&atilde;o continuar subindo e preferir esperar para fixar, podemos assistir a uma avalanche de &ldquo;atrasadinhos&rdquo;, como j&aacute; aconteceu outras vezes, bastando que o mercado comece a precificar uma safra 27\/28 maior do que se esperava. Em resumo: como ningu&eacute;m quebra com margem no bolso, melhor aproveitar os pre&ccedil;os bons e, se for o caso, comprar uma call (op&ccedil;&atilde;o de compra) uns 200 pontos acima do mercado para participar de uma eventual continua&ccedil;&atilde;o da alta.<\/p>\n<p>O spread mar&ccedil;o\/maio encolheu de 0.65 para 0.61 centavo e o branco de Londres para dezembro recuou a 533.90 d&oacute;lares por tonelada, sinais de que a escassez de curto prazo perdeu um pouco da urg&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>A not&iacute;cia da semana veio da &Iacute;ndia: a licita&ccedil;&atilde;o das estatais de petr&oacute;leo para 11 bilh&otilde;es de litros de etanol no ciclo que come&ccedil;a em novembro deixou de fora caldo, xarope e mela&ccedil;o B e cortou o incentivo ao etanol de milho de \u20b9 5.79 para \u20b9 2.79 por litro (de R$ 0.34 para R$ 0.16). Na pr&aacute;tica, a &Iacute;ndia zera o desvio de a&ccedil;&uacute;car para etanol em 2026\/27 e guarda mais a&ccedil;&uacute;car em casa, em ano de mon&ccedil;&atilde;o fraca e pre&ccedil;o interno em m&aacute;ximas. Os pre&ccedil;os ex-usina j&aacute; ca&iacute;ram \u20b9 120&ndash;150 por quintal em Maharashtra e Karnataka, as a&ccedil;&otilde;es das usinas indianas chegaram a recuar perto de 7% e parte do setor pediu revis&atilde;o da regra, ou seja, o assunto ainda pode mudar de figura.<\/p>\n<p>No Centro-Sul, a segunda quinzena de setembro mostrou moagem de 38.64 milh&otilde;es de toneladas (-2.9% sobre o ano passado), 2.86 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car (-6%) e 1.98 bilh&atilde;o de litros de etanol (-9.5%), conta das chuvas que atrasaram a colheita; o tempo seco previsto deve devolver o ritmo nas pr&oacute;ximas semanas, com parte da cana j&aacute; se encaminhando para a safra seguinte.<\/p>\n<p>Do lado do etanol, o mercado interno seguiu firme. O indicador Cepea\/Esalq do hidratado subiu pela terceira semana seguida, para R$ 2.6892 por litro (+1.96%), e o anidro foi a R$ 3.0824 (+0.96%); em Paul&iacute;nia, o hidratado acumulava alta de 6.74% em outubro, a R$ 2,820.50 por metro c&uacute;bico, enquanto o cristal Cepea chegava a R$ 125.62 por saca (+3.72% no m&ecirc;s).<\/p>\n<p>Com o petr&oacute;leo subindo 7.50% na semana e o WTI perto de 99 d&oacute;lares por barril, a remunera&ccedil;&atilde;o do etanol continua competindo de igual para igual com a do a&ccedil;&uacute;car e segue limitando o desvio de cana para a f&aacute;brica, o que ajuda a explicar por que NY n&atilde;o derrete mesmo com os fundos de bra&ccedil;os cruzados. Para quem ainda tem volume a fixar, a li&ccedil;&atilde;o da semana &eacute; a de sempre: comparar, vencimento a vencimento, o que rende o a&ccedil;&uacute;car fixado em reais contra o hidratado, lembrando que c&acirc;mbio e petr&oacute;leo s&atilde;o as duas vari&aacute;veis capazes de virar essa mesa.<\/p>\n<p>Na leitura t&eacute;cnica de Marcelo Moreira, o mar&ccedil;o\/27 encerrou a semana depois de marcar a m&aacute;xima logo na segunda-feira, a 20.95, sem f&ocirc;lego para voltar a testar o topo da banda de Bollinger de 50 dias, hoje em 21.22 centavos, a faixa que indica at&eacute; onde o pre&ccedil;o costuma esticar antes de encontrar cansa&ccedil;o. Nem a alta de 7.50% do petr&oacute;leo no per&iacute;odo segurou o mercado, que chegou a negociar na m&iacute;nima da semana a 20.02. Daqui para frente, as resist&ecirc;ncias est&atilde;o em 20.65, 20.71 e 21.22 centavos de d&oacute;lar por libra-peso; os suportes, em 19.85, 19.37 e 17.50 e, s&oacute; depois disso, l&aacute; embaixo, na m&eacute;dia m&oacute;vel de 200 dias, a 16.53 centavos, um lembrete de quanto o mercado j&aacute; subiu para chegar aonde est&aacute;.<\/p>\n<p>Esta &eacute; sua &uacute;ltima chance. Depois s&oacute; o ano que vem. Dias 17 e 18 de novembro, a Archer Consulting promove o Curso Avan&ccedil;ado de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos de Commodities Agr&iacute;colas &mdash; presencial, em S&atilde;o Paulo, das 9 &agrave;s 17 horas, no hotel Paulista Wall Street. Refer&ecirc;ncia no mercado h&aacute; mais de 20 anos, o curso j&aacute; formou mais de 3,000 profissionais e &eacute; ferramenta essencial para quem quer transformar a teoria dos derivativos em decis&otilde;es concretas de prote&ccedil;&atilde;o de margem. 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