{"id":13095,"date":"2026-10-30T17:25:19","date_gmt":"2026-10-30T17:25:19","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/ninguem-controla-todo-mundo-fixa\/"},"modified":"2026-10-30T20:27:36","modified_gmt":"2026-10-30T20:27:36","slug":"ninguem-controla-todo-mundo-fixa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/ninguem-controla-todo-mundo-fixa\/","title":{"rendered":"NINGU\u00c9M CONTROLA, TODO MUNDO FIXA"},"content":{"rendered":"<p>O mercado de a&ccedil;&uacute;car come&ccedil;ou a semana levando um susto que veio de fora dele. A reelei&ccedil;&atilde;o de Lula derrubou o real na segunda-feira, com o d&oacute;lar chegando a bater R$ 5,6000 ao longo do dia, e o a&ccedil;&uacute;car bruto em Nova York foi atr&aacute;s: o mar&ccedil;o\/27 caiu 5.6% e foi testar a casa dos 19 centavos de d&oacute;lar por libra peso, o menor n&iacute;vel desde o come&ccedil;o de outubro. A conta &eacute; simples: d&oacute;lar mais caro significa mais reais por tonelada para a usina, que aproveita para fixar, e essa venda acaba pesando sobre a cota&ccedil;&atilde;o em Nova York. Nosso modelo indica que pelo menos 1.2 milh&atilde;o de toneladas de a&ccedil;&uacute;car foram fixadas pelas usinas nesta semana. Parab&eacute;ns.<\/p>\n<p>A manchete do &uacute;ltimo coment&aacute;rio (Ningu&eacute;m Quebra Com Margem No Bolso) falava sobre isso e pode at&eacute; soar agora como premoni&ccedil;&atilde;o deste escriba. N&atilde;o foi. O conselho partia de uma constata&ccedil;&atilde;o humilde: n&atilde;o temos o menor controle sobre o que vem pela frente. N&atilde;o sabemos para onde vai o mercado, n&atilde;o sabemos para onde vai o d&oacute;lar e, at&eacute; outro dia, nem sab&iacute;amos quem seria o pr&oacute;ximo presidente. O que est&aacute; no radar de quem faz hedge &eacute; a margem, e margem se persegue com disciplina de monge, todo santo dia. Ironia das ironias: olhando apenas o fato pontual, o resultado da elei&ccedil;&atilde;o deu &agrave;s usinas, j&aacute; no dia seguinte, uma fixa&ccedil;&atilde;o pelo menos 100 reais por tonelada melhor &ndash; em NY, com o d&oacute;lar parado, seria uma alta de algo como 80 pontos. Quem diria que a urna ia virar instrumento de hedge &ndash; e dos bons: sem os horrorosos acumuladores. Como encerramento desta sexta-feira, o ganho foi de 120 reais por tonelada para as fixa&ccedil;&otilde;es da safra 27\/28 e 114 reais por tonelada para a 2028\/29.<\/p>\n<p>Passado o susto, o mercado foi se recompondo aos poucos: quatro preg&otilde;es seguidos de alta, enquanto o d&oacute;lar devolvia parte da perda, voltava para perto de R$ 5,3500 e encerrou a semana cotado a R$ 5,4450. Nova York fechou a semana a 19.36 centavos de d&oacute;lar por libra peso no mar&ccedil;o\/27, uma retra&ccedil;&atilde;o de 89 pontos no acumulado, ou quase 20 d&oacute;lares por tonelada. Os demais vencimentos caminharam na mesma dire&ccedil;&atilde;o, com recuos m&eacute;dios de 72 pontos, perto de 16 d&oacute;lares por tonelada.<\/p>\n<p>O piso de 19 centavos segurou no primeiro teste, mas vale notar que toda vez que o mar&ccedil;o\/27 se aproxima de 19.50 aparece venda de produtor segurando a alta. Os spreads seguem invertidos, com mar&ccedil;o\/maio em 53 pontos e maio\/julho em 39 pontos, ou seja, o vencimento mais curto vale mais que o seguinte, sinal de que o mercado continua pagando pelo a&ccedil;&uacute;car de entrega mais pr&oacute;xima. Os fundos, que vinham aumentando a aposta na alta semana ap&oacute;s semana, deram uma recuada e cortaram 40,688 lotes da posi&ccedil;&atilde;o comprada, que ainda assim segue em quase 181 mil lotes l&iacute;quidos. &Eacute; uma posi&ccedil;&atilde;o grande o bastante para preocupar caso o mercado perca os 19 centavos, porque liquida&ccedil;&atilde;o de fundo costuma vir em bloco.<\/p>\n<p>Do lado brasileiro, os n&uacute;meros do Mapa para a segunda quinzena de setembro confirmaram o que o mercado j&aacute; desconfiava. A moagem foi de 42.42 milh&otilde;es de toneladas, queda de 3.06%, com 3.06 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car (-5.42%) e 2.18 bilh&otilde;es de litros de etanol (-7.56%). No acumulado da safra a moagem soma 496.1 milh&otilde;es de toneladas, apenas 1.6% a menos que no ano passado; a diferen&ccedil;a est&aacute; no mix: o a&ccedil;&uacute;car acumula 29.4 milh&otilde;es de toneladas, 13.4% abaixo, enquanto o etanol chega a 26.3 bilh&otilde;es de litros, 8.6% acima. Com o Brent rodando acima de US$ 100 por barril, a usina segue escolhendo o etanol sempre que pode. Para completar, a chuva voltou ao Centro-Sul, com previs&atilde;o de mais &aacute;gua ligada ao El Ni&ntilde;o, o que tira dias de moagem e empurra para frente a produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car. Foi justamente essa previs&atilde;o que deu o empurr&atilde;o final na alta de quinta-feira.<\/p>\n<p>Na &Iacute;ndia a safra come&ccedil;ou com o p&eacute; esquerdo. O governo esticou de 31 de outubro para 31 de dezembro o prazo para importar 1 milh&atilde;o de toneladas de a&ccedil;&uacute;car bruto sem tarifa, e os n&uacute;meros explicam a decis&atilde;o: estoque de cerca de 1.5 milh&atilde;o de toneladas no fim de outubro contra uma demanda estimada em 2.3 milh&otilde;es em novembro, em plena temporada de festas, com o pre&ccedil;o interno encostando na paridade de importa&ccedil;&atilde;o &ndash; isto &eacute;, j&aacute; quase compensa trazer a&ccedil;&uacute;car de fora. A moagem em Uttar Pradesh atrasou por causa dos campos encharcados e em Maharashtra houve briga pelo pre&ccedil;o da cana; ainda assim, j&aacute; s&atilde;o 107 usinas operando e cerca de 487 mil toneladas produzidas at&eacute; o dia 28, contra 60 mil no mesmo per&iacute;odo do ano passado. As petroleiras indianas tamb&eacute;m esticaram para 5 de novembro o prazo da licita&ccedil;&atilde;o de etanol, de 11 a 12 bilh&otilde;es de litros, e o resultado vai dizer quanto da cana indiana vira etanol em 2026\/27 e, portanto, quanto sobra de a&ccedil;&uacute;car para exportar. Nossa aposta &eacute; que as exporta&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o nulas.<\/p>\n<p>Mercados exageram para cima e para baixo; modera&ccedil;&atilde;o nunca foi o forte deles, e a segunda-feira foi s&oacute; mais um cap&iacute;tulo. A vantagem de ter mais idade &ndash; al&eacute;m de estacionar em vaga pra idoso mais perto do elevador no shopping &ndash; &eacute; j&aacute; ter visto esse filme v&aacute;rias vezes e saber que o roteiro &eacute; sempre o mesmo. O mercado estressa por dois ou tr&ecirc;s dias, perde a voz de tanto gritar e volta ao normal como se nada tivesse acontecido. Momentos de p&acirc;nico s&atilde;o excelentes para ganhar dinheiro. &Eacute; como vender len&ccedil;os quando todo mundo est&aacute; chorando: o produto &eacute; o mesmo, s&oacute; a fila &eacute; que cresce.<\/p>\n<p>Na leitura t&eacute;cnica de Marcelo Moreira, o vencimento mar&ccedil;o\/27 encerrou a semana a 19.36 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, queda de 4.35% em rela&ccedil;&atilde;o aos 20.24 centavos da sexta-feira anterior. O c&acirc;mbio, por&eacute;m, trabalhou a favor do produtor. No curto prazo, o n&iacute;vel de 19.44 centavos de d&oacute;lar por libra-peso funciona como divisor de &aacute;guas. Se o mercado conseguir se sustentar acima dele, as pr&oacute;ximas resist&ecirc;ncias aparecem em 19.76, 20.16 e, mais adiante, 21.19 centavos. Se perder esse suporte, os alvos de baixa passam a ser 18.85, 18.02 e 17.74 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Marcelo chama aten&ccedil;&atilde;o ainda para o petr&oacute;leo, que segue firme em meio a rumores de um eventual ataque dos Estados Unidos ao Ir&atilde; nos pr&oacute;ximos dias: o WTI fechou a semana a US$ 104.50 e o Brent a US$ 114.00 por barril, fator que tende a dar sustenta&ccedil;&atilde;o ao etanol e, por tabela, ao a&ccedil;&uacute;car.<\/p>\n<p>Nos dias 17 e 18 de novembro, a Archer Consulting promove o Curso Avan&ccedil;ado de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos de Commodities Agr&iacute;colas &mdash; presencial, em S&atilde;o Paulo, das 9 &agrave;s 17 horas, no hotel Paulista Wall Street. Refer&ecirc;ncia no mercado h&aacute; mais de 20 anos, o curso j&aacute; formou mais de 3 mil profissionais e &eacute; a ferramenta para transformar a teoria dos derivativos em decis&otilde;es concretas de prote&ccedil;&atilde;o de margem: ler o que os spreads est&atilde;o dizendo, montar uma estrutura de op&ccedil;&otilde;es que protege sem amarrar, saber quando fixar e, principalmente, quando n&atilde;o fazer nada. &Eacute; a &uacute;ltima turma de 2026. Inscri&ccedil;&otilde;es e reservas com a Priscilla: <a href=\"mailto:priscilla@archerconsulting.com.br\">priscilla@archerconsulting.com.br<\/a><\/p>\n<p>Tenham todos um excelente final de semana<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado de a&ccedil;&uacute;car come&ccedil;ou a semana levando um susto que veio de fora dele. 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